
Hidden Folks - Caça ao Tesouro
Procurar coisas minúsculas em desenhos largos, sem relógio nem castigo, até os cenários começarem a repetir-se.
Nem toda a gente abre um jogo para competir. Há quem o abra para deixar de pensar durante vinte minutos, e é para essas pessoas que esta secção existe. Os três títulos reunidos aqui têm em comum a ausência de pressão: ninguém perde, nada expira, e o pior que pode acontecer é ficar preso a um tabuleiro que não tem saída.
Escolhi-os por caminhos diferentes. Um pede que encontre figuras minúsculas dentro de ilustrações densas, com o dedo a aproximar e a afastar a imagem. Outro entrega uma superfície dividida em milhares de zonas numeradas e deixa-o pintar durante o tempo que quiser. O terceiro é uma variante de mahjong solitário com peças invulgarmente grandes, feita a pensar em quem já não tem a vista de vinte anos.
Os três funcionam bem com o som desligado, o que não é um pormenor: são jogos para o sofá, para a sala de espera e para a última meia hora do dia.

Procurar coisas minúsculas em desenhos largos, sem relógio nem castigo, até os cenários começarem a repetir-se.

Pintar por números com o polegar, ao fim do dia, até o gesto se tornar automático de mais.

Mahjong solitário com peças grandes e contraste alto, pensado para quem já não vê tão bem ao perto.
| Jogo | O que se faz | Pressão de tempo | Conforto para a vista | Uma mão ou duas |
|---|---|---|---|---|
| Colorscapes® - Color by Number | Pintar zonas numeradas | Nenhuma | Bom, com zonas grandes no início | Uma mão chega |
| Vita Mahjong | Emparelhar peças de mahjong | Nenhuma | Excelente, peças muito grandes | Uma mão chega |
| Hidden Folks - Caça ao Tesouro | Encontrar figuras em ilustrações | Só nos desafios opcionais | Exigente, obriga a aproximar | Duas, para aproximar e arrastar |
| Tile Explorer® - Combinação | Combinar peças iguais | Baixa, sem cronómetro | Razoável, peças médias | Uma mão chega |
A coluna do conforto visual é a que mais me interessa nesta secção e a que mais raramente aparece nas descrições das lojas. Testei-a com o brilho do ecrã a meio, à noite.
Um jogo tranquilo tem um problema estrutural: sem tensão, a repetição nota-se mais depressa. Nos três casos há um ponto, algures entre a segunda e a quarta semana, em que a atividade deixa de ser relaxante e passa a ser mecânica. Assinalo esse ponto em cada análise porque me parece a informação mais útil que posso dar sobre este género.
Quem procurar o mesmo sossego mas com um objetivo mais claro encontra-o nos Jogos de palavras, onde a grelha resolvida dá uma satisfação concreta.
Há uma diferença prática entre pousar o telemóvel a meio de um nível e ter de o terminar. Os três títulos aqui reunidos permitem parar em qualquer ponto sem perder nada, e isso é o que os torna adequados à última meia hora antes de dormir: não obrigam a negociar com o próprio cansaço.
Recomendo baixar bastante o brilho e desligar completamente o som antes de começar, sobretudo no jogo de pintar, cujas cores saturadas num ecrã claro cansam a vista muito mais depressa do que parece. Reuni sugestões para esta situação concreta na lista Quatro jogos calmos ao fim do dia.