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Análise · Observação e calma

Vita Mahjong, avaliado ao pormenor

Comprei um telemóvel novo à minha mãe e passei uma tarde a instalar-lhe coisas. Este mahjong foi o único que ficou. Não por ser o mais bonito, mas por ser o único em que ela não precisou de perguntar nada a ninguém.

Vale a pena esclarecer o que isto é: mahjong solitário, o de emparelhar peças iguais que estejam desimpedidas de um dos lados, e não o jogo de mesa a quatro pessoas com o mesmo nome. São coisas diferentes e a confusão é frequente.

Ecrã de jogo de Vita Mahjong
Vita Mahjong: um dos primeiros ecrãs de jogo.
Ecrã de jogo de Vita Mahjong
Vita Mahjong: o mesmo jogo com o tabuleiro mais adiantado.

Mahjong com peças grandes

O tabuleiro apresenta peças empilhadas em camadas e o objetivo é retirá-las aos pares, escolhendo sempre as que têm um lado livre. A diferença está no tamanho: os desenhos ocupam bastante mais espaço do que é habitual, os símbolos são grossos e o fundo é sóbrio, sem padrões a competir com as figuras. Com o telemóvel apoiado na mesa acerta-se no par pretendido à primeira, o que num tabuleiro apertado quase nunca acontece. Não há relógio a contar nem contagem de tentativas falhadas, e nada se move enquanto ninguém tocar no ecrã.

Pensado para quem já não vê tão bem

O contraste entre a peça de cima e o que está por baixo dela é a decisão de desenho mais importante desta aplicação. As camadas inferiores escurecem ligeiramente, as peças livres não piscam de forma agressiva e os símbolos vêm acompanhados de formas suficientemente distintas para se reconhecerem pela silhueta, mesmo quando os traços finos se confundem.

Também conta o que não está lá: não há cronómetro a apertar, não há sequências a interromper a jogada e não há janelas a abrir sozinhas. Quem tem menos destreza no toque agradece a ausência de gestos complicados — toca-se numa peça, toca-se noutra, e é tudo.

Ritmo, tabuleiros e variedade

As disposições vão da pilha simples, que se resolve em quatro minutos, a construções altas em que é preciso pensar duas jogadas à frente para não fechar o caminho. Há uma ajuda que aponta um par válido e uma opção para desfazer a última jogada, ambas sem limite prático, o que evita acabar num beco sem saída.

A variedade de formas é razoável sem ser vasta. Ao fim de algumas semanas reconhecem-se as disposições, e o jogo passa a valer pelo hábito e pelo gesto, não pela novidade. Nesta categoria isso é menos defeito do que noutras.

Limites do desenho simplificado

Simplificar tem custo. Quem joga mahjong há anos vai achar as opções curtas: não se escolhe com liberdade o aspeto das peças, não há um registo sério das partidas anteriores e as disposições verdadeiramente exigentes são poucas. É uma aplicação afinada para o conforto e não para a profundidade.

A apresentação tem também um lado adocicado, com ilustrações e mensagens de encorajamento a cada tabuleiro concluído. A minha mãe não se importou; a mim, algumas dessas mensagens soam a conversa dirigida a crianças, e não é isso que um adulto de setenta anos precisa de ouvir.

Uma boa sugestão para oferecer

Se procura alguma coisa para instalar no telemóvel de um familiar mais velho e não quer ser chamado outra vez para explicar como funciona, esta é a escolha que eu faria. É gratuita, abre depressa, não pede registo para começar e não obriga ninguém a decorar gestos. Deixe o aparelho com o primeiro tabuleiro aberto e, na maioria dos casos, não há mais nada a dizer. Foi o que fiz em casa e não voltei a ser chamado por causa dela.

Balanço

A favor

  • As peças são grandes ao ponto de o toque errado praticamente deixar de acontecer.
  • O contraste entre camadas permite reconhecer as figuras pela silhueta, sem forçar a vista.
  • A ajuda e o desfazer não têm limite prático e evitam que um tabuleiro fique bloqueado.
  • Começa-se a jogar sem registo, sem tutorial obrigatório e sem configuração inicial nenhuma.

Contra

  • A variedade de disposições esgota-se em poucas semanas para quem joga mahjong com regularidade.
  • O tom visual, com ilustrações doces e mensagens de encorajamento, afasta parte do público adulto.

Veredicto

Uma aplicação com um destinatário claro e um trabalho de desenho sério para o servir. Peças grandes, contraste cuidado e ausência de pressa são decisões pequenas que, juntas, fazem uma diferença enorme para quem já não vê tão bem ao perto. Perde nota na variedade curta de disposições e num tom visual demasiado doce. Para o fim a que se destina, poucas alternativas gratuitas lhe chegam.

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