Tile Club frente a Tile Explorer
Instalados lado a lado, estes dois parecem o mesmo jogo com molduras diferentes: peças espalhadas, três iguais para as juntar, milhares de níveis à espera.
Passei tempo suficiente em ambos para dizer que a semelhança é verdadeira nas primeiras horas e falsa a partir daí. Um vive da companhia, o outro do percurso solitário. A escolha entre eles não se faz pela mecânica, que é praticamente a mesma, mas pelo que a pessoa quer que aconteça quando fecha um nível.
Tile Club - Jogo de combinar
GamoVation · 4,8 na Google Play · a minha nota: 7,8
Tile Explorer® - Combinação
Oakever Games · 4,8 na Google Play · a minha nota: 7,4
| Critério | Tile Club - Jogo de combinar | Tile Explorer® - Combinação | Fico com |
|---|---|---|---|
| Ritmo das primeiras fases | arranca devagar e explica pouco | sobe de exigência mais cedo | Tile Club - Jogo de combinar |
| Leitura do tabuleiro | peças grandes, pilhas bem separadas | cenário mais carregado, exige mais atenção | Tile Club - Jogo de combinar |
| Componente social | clubes e conversa com outros jogadores | existe, mas fica em segundo plano | Tile Club - Jogo de combinar |
| Ajudas disponíveis | poucas e discretas, quase sempre dispensáveis | variadas e centrais no desenho das fases | Tile Explorer® - Combinação |
| Sessão típica | três a cinco minutos por nível | cinco a dez, com fases longas | Tile Club - Jogo de combinar |
| Sensação de progresso | viagem por locais que se desbloqueiam | mapa, coleções e desafios recorrentes | Tile Explorer® - Combinação |
| Jogo sem ligação | funciona, mas a parte social desaparece | assumidamente jogável sem rede nenhuma | Tile Explorer® - Combinação |
A tabela mede impressões minhas ao fim de várias horas em cada um, não medições feitas com cronómetro.
O mesmo gesto, duas arrumações
A base é idêntica e não vale a pena fingir o contrário: procuram-se três peças iguais e retiram-se do tabuleiro. O que muda é a moldura. No primeiro, os níveis são unidades curtas encadeadas numa viagem, e a dificuldade sobe em degraus suaves durante bastante tempo. No segundo, o desenho das fases aperta mais cedo, com tabuleiros densos e espaço de manobra contado, e as ajudas deixam de ser um extra para passarem a fazer parte da solução esperada.
Jogar acompanhado ou jogar sozinho
Aqui separam-se de vez. O Tile Club leva a sério a ideia de clube: entra-se num grupo, fala-se, pede-se ajuda, participa-se em torneios. Para quem joga à noite e gosta de ver nomes conhecidos a avançar, isso muda a experiência toda. O Tile Explorer tem estruturas parecidas, mas o centro está noutro sítio — nos desafios que se repetem e nas coleções a completar. É um jogo de conversa consigo próprio, e há muita gente que prefere exatamente isso.
Onde cada um cansa primeiro
Nenhum dos dois escapa ao problema da categoria: passadas algumas horas, os níveis começam a repetir-se com outra pintura. O Tile Club cansa pela quantidade — a viagem é longa e a sensação de estar a percorrer o mesmo caminho instala-se. O Tile Explorer cansa por atrito, quando uma fase apertada obriga a insistir e o jogo passa a parecer trabalho. Reparei que me farto do primeiro por tédio e do segundo por irritação, o que é uma diferença que vale a pena pesar.
A minha escolha
Fico com o Tile Club, e a razão é quase toda social: quando os níveis se tornam indiferentes, ainda há gente do outro lado a dar-lhes sentido. Também é o mais brando com quem começa, o que conta para quem procura um jogo de arrumar a cabeça e não um desafio. O Tile Explorer ganha num caso concreto e nada raro: se joga sobretudo sem rede, se prefere fases que resistam e se não tem paciência nenhuma para grupos, é o melhor dos dois. Não instale ambos — a semelhança acaba por estragar os dois.