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Análise · Combinar peças e arrumar

Goods sorting Jogo de Combinar, avaliado ao pormenor

Custa-me escrever sobre este jogo sem parecer injusto, porque a ideia de base não tem nada de errado. Roupa espalhada por um tabuleiro, três peças iguais que se juntam e se anulam, um guarda-fatos que se vai esvaziando: é uma metáfora simpática e funciona bem nas primeiras fases. O problema aparece por volta da meia hora de jogo, quando percebi que já tinha visto tudo o que havia para ver e ainda faltavam centenas de fases pela frente.

Ecrã de jogo de Goods sorting Jogo de Combinar
Goods sorting Jogo de Combinar: um dos primeiros ecrãs de jogo.
Ecrã de jogo de Goods sorting Jogo de Combinar
Goods sorting Jogo de Combinar: o mesmo jogo com o tabuleiro mais adiantado.

Roupa, cabides e um tabuleiro cheio

O tabuleiro chega carregado, com camisas, casacos, calçado e acessórios distribuídos por várias camadas. A regra é a habitual do género: três peças iguais anulam-se e libertam espaço para as que estão por baixo. O tema veste bem esta mecânica, porque juntar roupa igual é uma tarefa que qualquer pessoa reconhece sem explicação. Onde a coisa falha é na variedade: os modelos repetem-se de fase para fase e, ao fim de algum tempo, deixo de reconhecer objetos e passo a reconhecer manchas de cor.

Peças com efeitos especiais

A tentativa de diferenciação está nas peças com efeitos. Algumas rebentam a área em redor, outras limpam uma linha inteira ou uma coluna, e o jogo sugere que se combinem umas com as outras para reações maiores. É a parte mais divertida e a única em que senti que estava mesmo a decidir alguma coisa em vez de limpar o que aparecia.

A execução, porém, é irregular. Nem sempre percebi que peça produzia que efeito antes de a usar, porque os ícones não o explicam com clareza e não existe um resumo que se possa consultar. Acabei a aprender por tentativa, o que num jogo de organização é uma forma cara de ensinar seja o que for.

O problema da repetição

Aqui está o defeito central. As fases mudam de configuração mas não mudam de natureza: o mesmo tabuleiro cheio, os mesmos tipos de peça, o mesmo caminho para o resolver. Não encontrei fases que exigissem uma ideia nova, nem objetivos que mudassem a forma de olhar para o tabuleiro. A dificuldade cresce por acumulação, com mais peças e menos espaço, e não por desenho.

Jogado em doses de cinco minutos, o defeito quase não se nota, porque a sessão acaba antes de a monotonia se instalar. Jogado meia hora seguida, passa a ser a única coisa que se nota, e nem a mudança de cenário entre capítulos consegue disfarçá-la.

Desempenho em telemóveis modestos

Instalei-o num aparelho de gama de entrada e o comportamento não foi limpo. Há pequenos engasgos quando várias peças desaparecem ao mesmo tempo, as transições entre fases demoram mais do que deviam e uma vez fui devolvido ao ecrã inicial do telemóvel a meio de uma fase. Nada disto é fatal, e num aparelho mais capaz não voltei a notar o problema; mas num jogo cuja proposta é relaxar, cada engasgo custa mais caro do que custaria noutro género qualquer.

Vale a pena instalar?

Depende inteiramente do que já tem no telemóvel. Se este for o primeiro jogo de organização a que pega, vai achá-lo perfeitamente aceitável e passar bem uma semana com ele. Se já jogou dois ou três do mesmo género, vai reconhecer as limitações ao fim de vinte minutos e voltar ao anterior. Não é um mau jogo; é um jogo que chega tarde a uma mesa já cheia e não trouxe nada de novo para pôr em cima dela.

Balanço

A favor

  • As peças com efeitos especiais introduzem decisões reais quando se conseguem encadear.
  • O tema da roupa dá sentido imediato à mecânica, sem precisar de qualquer explicação.
  • As fases fecham-se depressa, o que o torna aproveitável em intervalos muito curtos.

Contra

  • As fases repetem a mesma configuração com mais peças, sem alguma vez propor uma ideia nova.
  • Os ícones dos efeitos não indicam o que fazem e não há onde consultar essa informação.
  • Num aparelho de gama de entrada há engasgos nas animações e transições demoradas entre fases.
  • Os modelos de roupa repetem-se ao ponto de se deixarem de distinguir uns dos outros.

Veredicto

Fico com pouco para elogiar e nada para condenar com veemência. As peças com efeitos são uma boa ideia mal explicada, o tema da roupa está bem escolhido e o resto é rotina: fases que se sucedem sem propósito próprio, num embrulho que trava em aparelhos mais fracos. Guardo-o como alternativa de recurso e não como escolha. Há melhores no mesmo feitio, e alguns deles são igualmente gratuitos.

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